"Não, seus galhos ainda não secaram, mas se isso acontecer, saiba: a estação acaba de virar. No outono tudo costuma cair com mais facilidade. Uma bagunça dessas só pode indicar que o seu riso está vivo. Tão vivo que tem vontade de habitar o seu rosto ainda que; ainda que você se sinta quebrada. Ainda que você demore meses para se reerguer - retornos exigem tempo. Ainda que não vejam a cidade que você construiu em cima do vazio. Ainda que não percebam que sua cura está escancarada na história de uma mulher-água que fez onda onde não havia nada. Ainda que o passado seja uma sombra que não tarda em virar fogo. Ainda que os mundos estejam em desalinho. Ainda que a solidão te meta medo quando vem sem aviso. Sua depressão não determina a lua, que segue enchendo para te fazer confiar no que é cíclico. Você não é esse rasgo todo. Você não é aquilo que quem te feriu disse que você era. Você não é a casa que foi há dez ou cinco anos atrás. Você não é aquela que foi quando tudo que você queria era não ser. Seu lar tem endereço no seu peito e nessa noite tudo que você se tornou é bonito, falho, grande e possível. Evoluir pede equilíbrio quando você caminha nessas linhas finas que formam suas olheiras. E sua raiz é tão profunda, que daqui consigo observar uma multidão ancestral costurando a terra para que você flua em solos seguros. Com os escudos no chão, procure a nova vista. Pouse no seu dentro e bote fé:
você está preparada para florescer."
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