15 abril, 2020

Eduardo Alves da Costa

"Na primeira noite eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim
e não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, matam o nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."

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