15 setembro, 2019

Nenê Altro

“O dia sempre amanhece. Os pequenos raios de sol sempre vencem a sombra até das menores folhas das árvores. Começam a levar o escuro pra longe e a sumir com o sereno, a secar o orvalho dos carros, das pessoas, dos olhares. E você, por mais que queira, não pode parar isso. O dia sempre vem, seja pra te fazer feliz ou miserável, pra te fazer agradecer pela vida ou amaldiçoar o que fez dela. As pessoas acordam e você sempre lembra que não está sozinho. As janelas se acendem, as portas abrem, os cafés esquentam, os sonhos se cruzam e você sempre é gota no mar, mas é ele inteiro. E isso faz de tudo uma poesia viva interligada, orgânica, íntima e sedutora, que por termos por completo e ao mesmo tempo não termos controle algum sobre seu desfecho, aprendemos a amar. Somos universos gigantes, ímpares, simbióticos, presos em armaduras de carne, e todos de mãos dadas dançando ciranda no mesmo buraco negro, no liquidificador cotidiano que nos mistura atropelando a mentira do livre-arbítrio.”

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